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Município de Durandé é destaque nas ações de triagem neonatal

por ACS - Faculdade de Medicina da UFMG

02/12/2016 14:47

Município de Durandé se destaca nas ações de triagem neonatal

Conheça o trabalho da UBS Amigos da Saúde, com abrangência na zona rural.

ACS - Faculdade de Medicina da UFMG25 de Novembro de 2016

Sala de vacina na UBS Amigos da Saúde, no centro de Durandé. Foto: Rafaella Arruda.
Sala de vacina na UBS Amigos da Saúde, no centro de Durandé. Foto: Rafaella Arruda.

“Era época de chuva, de muito barro. Fiz a coleta do teste do pezinho, enviei no mesmo dia e na outra semana o Nupad ligou avisando da alteração para o hipotireoidismo. A agente de saúde pegou a moto, parou no meio do caminho e foi o restante a pé para chamar os pais para falarem comigo”, recorda a enfermeira Angélica Ramos sobre a primeira experiência com o diagnóstico para a triagem neonatal, ocorrida em 2012. “A mãe veio de charrete, porque não tinha como usar carro. O Nupad ligou na quarta, a consulta era na quinta em BH e o carro foi agendado na mesma hora. A mãe ficou um pouco apreensiva, preocupada. No outro dia, a criança estava em BH e já entrou em tratamento”, continua a enfermeira que é responsável pela Unidade Básica de Saúde (UBS) Amigos da Saúde, em Durandé, município localizado na Zona da Mata mineira. A lembrança, que mostra a realidade do serviço de saúde em um município com abrangência rural e pouco menos de oito mil habitantes, revela também a importância do trabalho da equipe na rede de atenção à saúde. 

Criada em 2004 como Programa de Saúde da Família (PSF), a UBS Amigos da Saúde é uma das três unidades de atenção básica de Durandé. Ela atende 830 famílias de seis microáreas rurais do município e possui três locais de funcionamento: no centro de Durandé e nos povoados de Igrejinha dos Vieiras e de Dores do José Pedro. “Lá temos tudo também, triagem neonatal, imunização, exames para toxoplasmose, preventivo, médico, dentista, equipe do NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família)”, diz Angélica sobre o atendimento nos povoados. “A família sabe quando os profissionais vão estar lá, então, se não puderem esperar, elas vêm aqui no centro”, completa.

Atendimento em posto de saúde de Igrejinha, povoado de Durandé. Foto: Rafaella Arruda.
Atendimento em posto de saúde de Igrejinha, povoado de Durandé. Foto: Rafaella Arruda.

 

PSF Amigos da Saúde em Dores do José Pedro, povoado de Durandé. Foto: Rafaella Arruda.
PSF Amigos da Saúde em Dores do José Pedro, povoado de Durandé. Foto: Rafaella Arruda.

Indicadores para a triagem neonatal

De acordo com a coordenadora de Atenção Primária à Saúde de Durandé, Tereza Raquel Bassoto, o PSF Amigos da Saúde realiza em média 8 coletas mensais do teste do pezinho e, nos últimos 12 meses, não enviou nenhuma amostra considerada inadequada para análise pelo Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da UFMG (Nupad). Também, segundo dados do Nupad, executor do Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais (PTN-MG) sob a gestão da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG), a equipe destaca-se por fazer a coleta de sangue do recém-nascido no prazo correto, entre o 3º e 5º dia de vida, e encaminhar a amostra em papel filtro para o laboratório no tempo recomendado.

Para manter os bons indicadores, Angélica destaca a importância do trabalho da equipe com as futuras mães. “Deve-se tanto à enfermeira e técnica quanto às agentes comunitárias de saúde (ACS) que sempre estão lá com as gestantes. Tentamos ser amigas da paciente, fazer com que ela confie em nosso trabalho e saiba a importância de realizar a triagem no período certo. A gente orienta, registra a data provável do parto para acompanhar. Quando ela vem na coleta, a criança já sai com a consulta marcada com a pediatra”, explica.

Angélica durante coleta da triagem neonatal. Foto: Equipe PSF Amigos da Saúde.
Angélica durante coleta da triagem neonatal. Foto: Equipe PSF Amigos da Saúde.

As profissionais citam também a nova lanceta utilizada para a coleta de sangue, o que, segunda elas, contribuiu para a qualidade da amostra. “Antes eu achava mais complicado com a outra lanceta, depois que mudou facilitou bastante”, diz a técnica de enfermagem, Monique Fidélis. Há três anos na equipe, Monique foi capacitada pelo Nupad em 2014 para os procedimentos de coleta, armazenamento e envio das amostras. Além dela, todos os demais membros da equipe, composta por nove profissionais, também participaram do treinamento promovido pelo Núcleo, em Belo Horizonte.

A técnica Monique Fidélis e a ACS Géssica Barbosa preparam material para realizar a coleta. Foto: Rafaella Arruda.
A técnica Monique Fidélis e a ACS Géssica Barbosa preparam material para realizar a coleta. Foto: Rafaella Arruda.

Diagnóstico e cuidado

Moradora de Dores do José Pedro, Ana Lúcia Rafael, de 16 anos, é uma das jovens acompanhadas pelo PTN-MG a partir do PSF Amigos da Saúde. Ela foi diagnosticada com doença falciforme pouco após o nascimento e iniciou o tratamento na Fundação Hemominas, em Belo Horizonte. “A gente saia daqui de Dores e ia de 30 em 30 dias”, lembra a mãe Obelina Maria que, além de Ana Lúcia, tem outros cinco filhos. “Ela cresceu e a viagem ficou mais pesada, pude transferir para Manhuaçu (Hemocentro) e agora tenho as consultas aqui, vamos de ano em ano”, acrescenta a dona de casa. O controle da doença é realizado também pelo médico no PSF.  

Segundo a mãe, a resposta da filha ao tratamento sempre foi muito positiva: “Ela nunca teve crise, nunca teve dor, é uma menina bonita e saudável”. Ana Lúcia reforça: “Tenho uma vida normal, estou estudando, saio com a mãe para pescar, assisto TV e converso com as amigas”.

Obelina conta ainda que, após o diagnóstico da caçula Ana Lúcia, foi orientada pelo médico a realizar o exame para identificação da doença falciforme em toda a família. A filha Renilda, de 21 anos, também foi diagnosticada.  

Obelina e as filhas, Renilda e Ana Lúcia, em frente à UBS em Dores do José Pedro. Foto: Rafaella Arruda.
Obelina e as filhas, Renilda e Ana Lúcia, em frente à UBS em Dores do José Pedro. Foto: Rafaella Arruda.

Além de Ana Lúcia, outra família atendida pelo PSF Amigos da Saúde e acompanhada pelo Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais é Luziana Carlos, de 4 anos, criança citada no início da reportagem. Hoje, após o diagnóstico precoce para o hipotireoidismo congênito, ela mantém o controle da doença com medicação diária e exames periódicos feitos no próprio município de Durandé.

“Quando falou da alteração para o teste do pezinho, pensei que ela não ia andar, mas graças a Deus a gente fez o acompanhamento direitinho. Ela é uma criança normal, não teve nenhuma sequela. Tem toda saúde, brinca o dia todo, é muito inteligente, mas bem sapeca”, diz a mãe de Luziana, Ana Tereza de Oliveira. Ela, o marido e a filha moram em Córrego do Arrependido, também povoado de Durandé, e a cada seis meses comparecem à unidade no centro do município para consulta com a pediatra.

Ana Tereza explica que, no início, o acompanhamento da filha era feito na UBS e uma vez ao ano em ambulatório de Belo Horizonte. Após Luziana completar três anos, as consultas foram transferidas definitivamente para Durandé, o que contribuiu não apenas para a proximidade entre a equipe do PSF e a família, mas reduziu também o desgaste com as viagens. “Agora ela colhe sangue aqui, envia pra Belo Horizonte, o resultado vem para Dra. Cecília (pediatra), ela analisa, faz relatório e manda pra lá de novo”, resume a mãe.

A coordenadora da Atenção Primária, Tereza Raquel; Antônio Carlos e Ana Tereza com a filha Luziana; a ACS Marilaine e a enfermeira Angélica, na UBS em Durandé. Foto: Rafaella Arruda.
A coordenadora da Atenção Primária, Tereza Raquel; Antônio Carlos e Ana Tereza com a filha Luziana; a ACS Marilaine e a enfermeira Angélica, na UBS em Durandé. Foto: Rafaella Arruda.

Mérito de todos

Para as ACS da unidade, os ganhos na saúde básica do município refletem a responsabilidade e a confiança por parte das famílias que, cada vez mais, têm acatado as recomendações da equipe de saúde, dentro e fora da UBS. “Nas visitas a gente orienta a fazer o teste do pezinho. As mães sabem a importância”, diz Carla Neves, há oito anos no grupo. “Estou muito satisfeita com meu trabalho, veja que as pessoas confiam”, reforça Roberta Juliana.

Também o clínico geral do PSF, Rodrigo Bertani, destaca o comprometimento dos profissionais e a integração com a família para a boa condução da triagem neonatal e de todos os demais serviços de saúde. “Temos a preocupação de conscientizar o usuário, informá-lo dos riscos e da importância de se manter a saúde. A família está sempre presente e trabalha junto conosco, de forma integrada. O maior beneficiário é ela e o mérito é de todos”, conclui.

A equipe do PSF Amigos da Saúde, em Durandé. Foto: Rafaella Arruda.
A equipe do PSF Amigos da Saúde, em Durandé. Foto: Rafaella Arruda.

Durandé

Segundo dados da Coordenação de Atenção Primária à Saúde de Durandé, o município conta atualmente com 3 UBS, todas elas cadastradas no PTN-MG e que promovem uma cobertura de 100% do município.

Durandé possui 7.852 mil habitantes e faz parte da Gerência Regional de Saúde de Manhumirim (dados SES-MG).

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